Alunos da Escola Beach Boys de harmonia vocal. Depois mostro a versão animada que vale a pena.
29.10.08
24.10.08
6.10.08
Rola a bola, começa o jogo
No início do ano entrevistei o Lucas Murtinho sobre a Copa de Literatura Brasileira, que na época preparava sua segunda edição. A peleja começou há 2 semanas, vale acompanhar:
“Um prêmio é um guia que pode chamar a atenção do leitor para alguns livros.” É assim, como uma tentativa de se tornar um filtro relevante no meio da tempestade de informação da internet, que a Copa de Literatura Brasileira colhe os frutos de sua primeira edição e ajusta o time de jurados para a entrada em campo em 2008. O Gaveta foi ouvir o “crítico de fim de semana” Lucas Murtinho, capitão e cartola que aposta no bom humor da iniciativa e na participação decisiva do público – argumentado e questionando os resultados dos “jogos” – sobre as impressões e expectativas para esta competição. A bola rola no www.copadeliteratura.com .
Qual o equilíbrio ideal entre seriedade e bom humor para um prêmio literário? Nossos prêmios sofrem de uma sisudez crônica?
É puxar muito a brasa para a minha sardinha dizer que o equilíbrio ideal é o da Copa? Segue a explicação: a Copa é bastante séria quando se trata de falar dos livros em si. Cada jurado põe a cara a tapa ao assinar a resenha de um jogo, e precisa justificar bem sua escolha. O bom humor fica por conta do regulamento, do clima de campeonato e da torcida por este ou aquele livro - e das referências a futebol que os jurados volta e meia fazem. Ou seja, o humor é usado para atrair o leitor, mas quando ele chega à Copa o papo sobre literatura é sério.
Prêmios, literários ou não, no Brasil ou no exterior, costumam ser sisudos: se você quer que as pessoas te levem a sério quando você diz "eu digo que este [livro, filme, quadro, jogador de futebol] é o melhor do ano e vocês têm que acreditar em mim", é bom não rir no meio da frase. "Crônica" talvez seja exagero, mas acho que essa sisudez atrapalha um pouco. Tem muita gente que acaba mantendo os prêmios à distância, por respeito excessivo ou sincera impaciência. A Copa é uma tentativa de atenuar esse quadro.
Quais os números da edição 2007 e as expectativas para 2008 [acessos, comentários, gastos financeiros, participação das editoras]?
2007: Livros: 16. Jogos: 15. Visitantes únicos: 3000 por mês. Comentários: 800. Gastos financeiros: um pouquinho com envio de livros aos jurados. Participação das editoras: modesta mas fundamental (porque sem os livros que elas nos cederam a Copa provavelmente não teria acontecido). Diversão: muita.
Em 2008 o número de jogos vai aumentar (de 15 para 17, por causa da rodada de repescagem) e espero que o de visitantes e comentários também. Estou procurando patrocínio para poder pagar algo aos jurados e à nossa programadora visual, a Renata Miloni da revista Malagueta, que foi jurada na CLB 2007 e tem me ajudado muito, e também para fazer um pouco de publicidade sobre a Copa e atrair mais público. O número de livros não mudou, e espero que a quantidade de diversão também não mude.
Como uma premiação que se assume "abertamente injusta" pode instigar a participação e o acompanhamento do público? Todas as premiações são injustas?
Começando pela segunda pergunta, que é mais fácil: sim. Não faz sentido acreditar piamente no que um punhado de jurados diz sobre a qualidade literária de tal ou tal livro. Usar os prêmios como um guia de estrada é uma boa idéia - eu mesmo faço isso com o Booker Prize, da Inglaterra - mas é inevitável discordar de muitas decisões. Gosto pode até se discutir, mas não se transfere, e o dos jurados não é melhor ou mais correto do que o dos leitores.
O prêmio é um guia que pode chamar a atenção do leitor para alguns livros. No "abertamente injusta", importa mais o advérbio do que o adjetivo: não queremos impor nossos gostos a ninguém. Mas queremos falar desses livros, da literatura brasileira contemporânea, e convidar os leitores a tirar suas próprias conclusões - lendo.
A Copa já pode ser considerada um sucesso consolidado na internet brasileira? Foi preciso vencer a desconfiança de alguns no início?
Consolidado, não, mas espero chegar lá daqui a alguns anos. A desconfiança em relação à Copa foi surpreendentemente - quase frustrantemente - pequena. Talvez uma oposição mais furibunda tivesse levado a um grande debate sobre a Copa e a mais público para nós, mas houve apenas alguns blogueiros que acharam a idéia estranha, mal explicada ou inútil. O que, claro, é normal.
Qual o papel dessa comunidade literária virtual para o êxito da edição 2007? É possível radiografar essa comunidade?
A Copa, de certa forma, ainda é um evento conhecido basicamente por esse grupo que você chama de "comunidade literária virtual". Ou seja, a Copa deve tudo a esse grupo - e o grande desafio é fazer um prêmio totalmente baseado na Internet atravessar a fronteira virtual, o que está começando a acontecer. A radiografia, por ser a Internet esse bicho tão estranho, é muito difícil de ser feita. Vira e mexe encontro um blog legal e bem conhecido por outras pessoas do qual eu nunca tinha ouvido falar. Assim, no susto, eu escapo pela tangente dizendo que temos um pouco de tudo: escritores publicados buscando maior contato com o público, escritores não publicados que querem ser publicados, críticos de fim de semana - como eu -, jornalistas, uma divertida bagunça. Ainda sinto falta de blogs que aproveitem o espaço da Internet para escrever resenhas longas, ou até ensaios, sobre livros e literatura. Mas o que temos já dá assunto pra muita conversa.
Você acredita que a Copa tem potencial de agregar valor aos seus livros competidores, a ponto de o vencedor ter o seu título divulgado com ênfase como acontece com outros prêmios brasileiros [Jabuti, Sesc]?
A idéia é essa, né? Ao mesmo tempo, acho que esse valor que os prêmios tradicionais agregam é inflado pela fachada de imparcialidade que a Copa não tem. Se a gente mesmo diz que ser campeão da Copa não quer dizer que o livro é o melhor do ano, fica difícil convencer as editoras a usar o prêmio como argumento de venda. Mas claro que eu gostaria de ver o selo de Campeão da CLB - que já está no site do Luiz Antonio de Assis Brasil, vencedor da primeira edição e jurado da segunda - em livro.
O Brasil não tem muita tradição em "escritores-críticos", que resenham seus pares, insentos de vaidades e interesses. A copa pode mudar este quadro, revigorar/aprofundar o cenário da crítica literária brasileira em suas resenhas?
Sim, sim, sim, definitivamente sim. Quer dizer, não sei se a Copa pode mudar o quadro, mas espero que ela mude.
A desculpa normalmente é que a cena literária brasileira é muito pequena e todo mundo se conhece, então fica difícil para um escritor falar mal do livro de um colega sabendo que eles vão se cruzar na próxima festa de lançamento. Eu já acreditei nisso por um tempo, mas hoje acho que é balela: a cena literária é pequena em todo lugar - a Lionel Shriver, escritora e crítica, já escreveu um artigo sobre isso num jornal britânico. É um atalho imperdoável para quem nunca leu "Raízes do Brasil", mas essa tradição de só falar bem dos pares faz pensar imediatamente na "cordialidade" captada pelo Sérgio Buarque de Hollanda. Isso empobrece muito a conversa sobre literatura no Brasil. Espero que a Copa prove que é possível falar dos defeitos de um livro sem xingar o autor nem provocar sua ira.
E como a internet pode contribuir para o debate literário? A questão passa obrigatoriamente pela interatividade, ou igualdade entre a crítica e o público leitor?
É bom distinguir "interatividade" e "igualdade": a Copa, por exemplo, é interativa mas nem um pouco igualitária - afinal de contas, a palavra do jurado é lei. Como já disse, gosto é algo pessoal e intransferível, por isso é bom também ressaltar que a igualdade boa é a igualdade liberal, segundo a qual a opinião de uma pessoa vale tanto quanto a de outra; a igualdade democrática, segundo a qual a opinião certa é a da maioria, não faz sentido nesse contexto. Mas filosofo. Como também já disse antes, a Internet é fundamental pelo espaço que ela oferece ao escritor, seja ele um ficcionista ou um crítico. O lado ruim de tanto espaço é que há muita porcaria na Internet, mas temos vários filtros para nos ajudar. E talvez, se tudo der certo, a lista de jurados da Copa se torne um deles.
25.9.08
24.9.08
Sacana
22.9.08
13.9.08
O som de 2008: Lykke Li, Little Bit
Mais uma loira. Mais uma sueca. Ah, a Suécia...
Crédito [mais uma vez] do Peixesbanana.
7.9.08
31.8.08
20.8.08
15.8.08
16.7.08
Coquetel Molotov divulga programação
10.7.08
9.7.08
3.7.08
Desova - parte dois

2.7.08
1.7.08
Desova - parte um
***
Por enquanto, o que existe é a internet como caminho para o escritor chegar ao leitor, às vezes antes que possa publicar em papel. Há dez anos, um autor jovem, desconhecido, não tinha meia dúzia de leitores fora de seu círculo de amizades. Hoje, se o que se produz on-line é interessante, em pouco tempo seu blog ganha pencas de leitores. Ou ao menos mais do que meia dúzia deles. E tudo isso antes que tenha um livro lançado.
12.5.08
6.5.08
5.5.08
A ciência da linkagem
17.4.08
15.4.08
10.4.08
Épico
Ah não dá pra parar de colocar vídeos por aqui. Não cobre letras onde a imagem já basta. Nem vem que não tem.
Em agosto nos cinemas.
8.4.08
Editors, versão R.E.M
People are fragile things, you should know by now
Be careful what you put them through
5.4.08
Questão ululante
Markenting?
Presente de aniversário atrasado?
Lapso temporal [looooooooooooooooooooooost]?
E o pior - ou melhor - é que a edição tá boa. Se for engano, acho que não vou avisar.
2.4.08
25.3.08
24.3.08
Mofo
***
Acordar. Desistir. Acordar. Desistir de novo. Levantar. Tropeçar até o banheiro. Lavar o rosto, escovar os dentes. Desistir do banho, água muito fria. Vestir a calça de ontem, a camisa menos fedida, os tênis de couro, porque não pára de chover. Duas gotas de perfume, o creme para as espinhas. Sai correndo. Volta, pega as chaves. Agora sim, atrasado.
Ônibus parado, corre. Ônibus saindo, corre mais. Alcança o ônibus lotado, se espreme até o Centro. O Centro sujo. Chega atrasado, a meia hora de sempre. Vai até sua sala. O pessoal de sempre, o bom-dia mecânico. Olha os jornais, aquela olhada mecânica. Checa os e-mails, faz dois telefonemas, deixa recados, recebe recados, anota recados. Escreve um texto, nota besta. Assim, mecanicamente. Manda o texto via internet. Agora só faltam as fotos.
Faz as fotos, coisa pequena e sem importância. Envia as fotos. Tudo on-line. Meio do expediente, ainda. Pega o livro velho, sempre um livro na bolsa. Ajuda, e muito, nessas horas. Lê, lê, lê muito, como se fosse a última coisa que lhe restasse. Dá resultado. Meio-dia. Fim do expediente. Vai embora. E vai correndo, pra variar. Mais um ônibus cheio, pra variar. Agora é um calor inconcebível. Faculdade lá na casa do cacete. Chega já querendo sair.
Come um troço gorduroso. Fuma um cigarro. Joga conversa fora. Se arrasta até a sala da Aula Chata. A aula do Professor Horrendo. Fica meia hora, vai dar uma mijada, fumar outro cigarro, fazer uma ligação. Volta pra sala. Mais uma hora de tortura e piadas ridículas do Professor Horrendo. Vai embora correndo, fugindo, papeando com os amigos, ou com quem está por perto.
Pragueja mais uma vez contra o transporte público municipal. Pragueja contra essa vida besta. Volta pra casa, cansado de não fazer nada. Perde mais tempo na rua com as coisas desimportantes do que fazendo algo que verdadeiramente curta.
Chega em casa morto de fome. Limpa a geladeira. Liga a TV. Se refestela. Tenta folhear uma revista da pilha que cresce assustadoramente ao lado cama. Não dá, as letras se embaralham e formam desenhos obscenos que invadem sua mente torpe. Aquele filme bacana daqui a 15 minutos, vai dar pra ver sim. Cai no sono. Acorda duas horas depois. Cambaleia até o quarto, se joga na cama. Cansado de não-se-sabe-o-quê. Se reconhece um garoto mimado reclamão. "Vai viver, seu trouxa!", pensa. Não dá, muito sono. Prisão confortável essa.
Amanhã?
17.3.08
6.3.08
Abril Pro Rock: programação
11/04, sexta-feira, a partir de 21h:
- Banda escolhida em concurso - Palco 3
- The Sinks (RN) - Palco 3
- Project 666 (PE) - Palco 2
- Mukeka di Rato (ES) - Palco 1
- Zumbis do Espaço (SP) - Palco 2
- The New York Dolls (EUA) - Palco 1
- Vamoz! (PE) - Palco 2
- Bad Brains (EUA) - Palco 1
12/04, sábado, a partir de 17h:
- Banda escolhida em concurso - Palco 3
- Erro de Transmissão (PE) - Palco 3
- Sweet Fanny Adams (PE) - Palco 2
- Barbiekill (RN) - Palco 3
- Autoramas (RJ) - Palco 1
- Violins (GO) - Palco 2
- Céu (SP) - Palco 1
- Vítor Araújo (PE) - Palco 2
- Wander Wildner (RS) - Palco 1
- Rockassetes (SE) - Palco 2
- Júpiter Maçã (RS) - Palco 1
- Superguidis (RS) - Palco 2
- The Datsuns (Nova Zelândia) - Palco 1
- Pata de Elefante (RS) - Palco 2
- Lobão (RJ) - Palco 1
27/04, domingo, a partir de 20h:
- Gamma Ray (Alemanha) - Palco 1
- Helloween (Alemanha) - Palco 1
ABRIL PRO ROCK 2008
Quando: 11, 12 e 27/04
Onde: Chevrolet Hall (Recife)
Quanto: De R$ 30 a R$ 50 (11 e 12) e de R$ 50 a R$ 80 (27)
Informações: Site oficial do APR
15.2.08
11.2.08
E ela conseguiu
O que ela disse é que sua arte - real, fake, oportunista, crua, e na verdade tudo isso não importa muito – é imortal e precisava da ocasião como uma cerimônia de perpetuação. Como um “ok Amy, pode ter sua overdose e morrer no ostracismo, como uma caricatura pós-moderna, já temos seu registro defenitivo.”
E nossa, como ela sabia disso. Uma artista por uma noite consciente do seu papel no circo pop. Flor na cabeça, fez cara, boca, fingiu e se surpreendeu consigo mesma. Entrou para a série dos retornos triunfais, como o de Elvis no mesmo Grammy, há 40 anos; como a própria Piaf em 1960; e como Britney ainda não conseguiu. No final das contas, juras de amor pro marido que continua preso, abraço dos pais e prêmio de gravação do ano pra Rehab, porque ela foi.
7.2.08
Peter Bjorn & John em Recife
5.2.08
1.2.08
25.1.08
20.1.08
(se tudo não explodir antes)
Uma introdução:
http://www.revista.agulha.nom.br/ag38piva.htm
Uma entrevista:
http://www.germinaliteratura.com.br/literatura_out05_robertopiva1.htm
Um poema:
quero dividir com você a ventania a morte
& as flores do pessegueiro.
sinistras aves de rapina.
fontes de mel. pequena cidade do
interior donde você brota como
Amor-Perfeito.
imensa & delicada adolescência.
tambores dos quintais & do riacho
nas asas dos anjos da Memória.
Uma frase:
"Só acredito num deus que saiba beber."
18.1.08
Anote este nome:
amy winehouse.
Se meu sobrenome fosse Casa de Vinhos, eu também me drogaria.
15.1.08
8.1.08
Foi o cão
Jeremias vai à Justiça após aparecer bêbado no YouTube
LUISA ALCANTARA E SILVA, DA REDAÇÃO
7.1.08
guarde o velho
saque o novo
leia um livro útil
esqueça os cânones
sacrifique o sagrado
dignifique o novo
deixe o que passou no passado
leia o novo
potencialize o utilizável
a literatura celta do séc. XVII não presica do seu esforço
não acorde o dragão
esqueça os críticos
esqueça as teorias
esqueça as regras
destrua os panteões
derrube a dinastia
ouça o novo
cale o velho
LEIA LIVROS ÚTEIS
5.1.08
todos os dias 5, 15 e 25
3.1.08
Luz no fim do túnel. Que túnel?
Roberto Amorim
Fonte: tudonahora.com.br
A boa notícia de fim de ano ainda não se espalhou no circuito cultural da cidade. Pouca gente sabe que no dia 15 deste mês os 21vereadores da Câmara Municipal de Maceió aprovaram a nova Lei de Incentivo à Cultura. O prefeito já sancionou e o próximo passo é formular e publicar no diário oficial do município o decreto de regulamentação da tão esperada lei.
A estimativa da Fundação Municipal de Ação Cultural é que em março do próximo ano tudo esteja pronto e sejam lançados os primeiros editais para qualificação dos projetos. Na prática, a lei vai injetar, em 2008, R$ 1.350 milhão através de renúncia fiscal do ISS, na produção, realização e circulação de bens culturais.
“Temos total apoio do prefeito, da procuradoria do município e da secretaria de Finanças. Do jeito que foi amplamente discutida e coletivamente elaborada, nada pode impedir o funcionamento da lei aprovada por unanimidade pela Câmara com discursos calorosos. É uma grande vitória para cultura de Maceió”, comemora Marcial Lima, presidente, desde 2005, da fundação responsável pelo estímulo à cultura produzida na cidade.
O raio de alcance da lei é vasto e chega a praticamente todas as manifestações artísticas. No leque estão artes cênicas (teatro, dança, circo), audiovisual (cinema, vídeo, fotografia, sistemas de radiodifusão e televisão comunitárias), artes visuais (plásticas, gráficas, filatelia), literatura, cultura popular, música e patrimônio (histórico, cultural, arquitetônico e arqueológico).
Certificado
A nova lei, chamada oficialmente de Programa Municipal de Apoio à Cultura, traz novos mecanismos de defesa para evitar que morra na praia como a nascida em 1977. Um dos pontos-chave é a criação de duas subcomissões para análise e escolha dos projetos que receberão o certificado autorizando a captação de recursos.
A primeira, formada por técnicos da secretaria de Finanças, levará em consideração “o caráter estritamente técnico, verificando a conformidade do projeto com os requisitos técnicos e de habilitação exigidos no Edital Convocatório”.
Em seguida, os projetos pré-qualificados serão encaminhados à subcomissão cultural formada por três membros indicados pelo presidente da FMAC e de notório saber na área específica.
Para evitar julgamentos puramente subjetivos, foram instituídos critérios de avaliação, como a democratização do acesso ao bem cultural, incentivo a formação artística e proteção das expressões culturais. Os prazos e formas de prestação de contas também estão mais rígidos.
Fundo
O mesmo decreto de lei também criou o Fundo Municipal de Incentivo à Cultura que, segundo Marcial Lima, já nasce com R$ 500 mil garantidos no orçamento de 2008 para projetos culturais apresentados por “órgãos ou entidades, públicas ou privadas, sem fins lucrativos, ligadas à cultura, ou por pessoas físicas, instaladas ou domiciliares em Maceió há pelo menos dois anos e que, comprovadamente, venham realizando trabalhos ligados à cultura”.
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Pois bem, toda a polêmica estará centrada nessa malfadada "subcomissão cultural". Com certeza não perdemos por esperar o "notório saber" dos digníssimos jurados. Conchavos, panelinhas, futricas e disse que disse. Vide a famigerada e imoral Bolsa de Criação Literária da FUNARTE. Aguardem as cenas dos próximos capítulos. Sinal amarelo desde já.
1.1.08
16.12.07
Uma ilha de influenza
7.12.07
derradeiro olhar
Agora volta pra casa, sozinho. Com as luzes da periferia.
5.12.07
Galera says
Daniel Galera, na sua melhor entrevista, ao Movimento Inversos.
p.s: mas como eu faço pra ler a tal entrevista, anta?
R. Fácil, clica no título do post, catzo!
19.11.07
gaveta no overmundo
A equipe agradece a sua participação.
- O que nós vamos fazer amanhã, Cérebro?
- O de sempre, Pinky, vamos conquistar o mundo.
14.11.07
sweet comedy
8.11.07
28.8.07
The kkk took my baby away
Espera
Espera,
Vai correndo, busca-vida de volta.
[Let her get on with life
Let her have some fun]
7.8.07
27.6.07
Culpa da remela
p.s. É, costumo me confessar às 8 da manhã pra uma tela de computador e um email despretensioso.
18.6.07
Liturgias
Vou rabiscar, volto amanhã.
15.6.07
Festa?!
5.6.07
Alguém me diz
Se eu casar, meu problemas estarão resolvidos?
8.5.07
Mulheres, cheguei!
Vou pra montanha com banda larga, me enfurnar numa caverna com um estoque considerável de vodca na dispensa. Ou vou pra Garanhuns - fingindo que é Campos do Jordão - num "amores expressos" particular.
Cansei de ser difícil...
11.3.07
Sobre os dias modorrentos
Só Bandini me entende e bebe comigo. E Amy escuta as lamúrias e passa a mão em meus cabelos.
Queria que chovesse todos os dias.
22.2.07
o sucesso toca aqui
13.2.07
E o depois?
põe vinho na roda jesus!
lava as mãos amor,
o trem está atrás de nós
e você não chegou
nem vai checar
que os homens de jericó
se transformaram em outsiders,
lá,
na beira da lagoa.
E o que nos resta agora são histórias de culpa e desespero.
11.2.07
5.2.07
Ontem, há dez anos, Paulo Francis foi pro céu.
29.1.07
Menphis lovesong
e vinho barato
teu cheiro teima
e não sai das minhas mãos
aquele disco do jarvis,
gosto de sangue na boca,
a gente se ama sob a luz da tv -
"não faz barulho
pra ser feliz baixinho".
25.1.07
O cheiro da fumaça me inebria
Uma semana cheia de trabalho. Teoricamente. Apenas para, digamos, uma parcela da população economicamente ativa. O número de figuras peculiares salta aos olhos fácil, fácil. A fauna lúgrube a planar pelos becos e vielas da cidade imunda. Transeuntes malemolentes em busca de uma nova jogada. Malevolentes em busca da perdição na mesa do bar.
O velho desdentado, o freak de black power loiro, o pedreiro obsceno – “essa eu chupava toda até desmaiar” – a dona do boteco de seios fartos que sua sem parar e não lava as mãos porque falta água naquela pocilga onde gente como nós enche a cara e vira bobo alegre. E na corrida de obstáculos que é a ida até o ponto de ônibus (que sempre vem lotado), cuidado com os trombadinhas, cheira-cola, delinqüentes e afins. Porque nesse pardieiro tem de um tudo muito estranho.
À sombra das árvores indecentes que rasgam a calçada com furor sexual paira o bundamolismo dos malandros desempregados que sabem que morrerão assim, malandros vagabundos em busca de alguma mal amada para traçar e sugar até o osso.
O tempo avança e os freaks se aglomeram no seu gueto, onde suas libertinagens ganham vida própria.
20.1.07
Prazeres e delícias de 20 meses intensos
Aqui sim um coração há muito desabitado, empoeirado e carcomido. Plagas nunca antes desbravadas por uma delícia como só Ela é, finalmente invadindo o território proibido. Sim. Desbravar. Sentir e tocar. Nesses pouco mais de 600 dias nunca fui tão eu quanto sendo teu. E toco tu boca no nosso jogo louco de armar.
E se preocupa e toma conta e compartilha a cumplicidade do olhar-gêmeo. Ciclopes. Vamo junto o dia todo, todo dia um de cada vez. E brinca de casal independente e maduro que mora junto no fim de semana que os papais não estão em casa. É quase frívolo. Se não fôssemos nós dois.
E saímos em nossas incursões “etílico-sociológicas” por que, o que é a vida senão desbravá-la ao teu lado? Porque nos encontramos na noite suja. A limpamos com nosso visco. Lendo os versos favoritos, fingindo que tô-com-sono-vamos-dormir só pra ser mais gostoso. Porque conosco sempre é mais.
A gente toma heineken com chicabom e alcança a efêmera olhando as estrelas lá no teto. A gente brinca, sorve, se encolhe. O sol particular que brilha aqui dentro.
Mais 20, 40, 80, 120 eternidades. Vivendo tudo. Sentindo cada linha até o talo. Do teu lado, coragem me acompanha fácil, fácil. Ficamos prontos, irrequietos, ansiosos. Venha o que vier pra gente espremer todas as gotas desse clichê ridículo, amor da minha vida.
______________
texto publicado no fanzine SEQUELA, que deu muito gás de fazer junto com a querida castellotti. essa porra de zine vicia...
15.1.07
Espaço invadido
Hace años que me doy cuenta y no me importa, pero nunca se me ocurrió escribirlo porque la idiotez me parece un tema muy desagradable, especialmente si es el idiota quien lo expone.
Puede que la palabra idiota sea demasiado rotunda, pero prefiero ponerla de entrada y calentita sobre el plato aunque los amigos la crean exagerada, en vez de emplear cualquier otra como tonto, lelo o retardado y que después los mismos amigos opinen que uno se ha quedado corto. En realidad no pasa nada grave pero ser idiota lo pone a uno completamente aparte, y aunque tiene sus cosas buenas es evidente que de a ratos hay como una nostalgia, un deseo de cruzar a la vereda de enfrente donde amigos y parientes están reunidos en una misma inteligencia y comprensión, y frotarse un poco contra ellos para sentir que no hay diferencia apreciable y que todo va benissimo. Lo triste es que todo va malissimo cuando uno es idiota, por ejemplo en el teatro, yo voy al teatro con mi mujer y algún amigo, hay un espectáculo de mimos checos o de bailarines tailandeses y es seguro que apenas empiece la función voy a encontrar que todo es una maravilla. Me divierto o me conmuevo enormemente, los diálogos o los gestos o las danzas me llegan como visiones sobrenaturales, aplaudo hasta romperme las manos y a veces me lloran los ojos o me río hasta el borde del pis, y en todo caso me alegro de vivir y de haber tenido la suerte de ir esa noche al teatro o al cine o a una exposición de cuadros, a cualquier sitio donde gentes extraordinarias están haciendo o mostrando cosas que jamás se habían imaginado antes, inventando un lugar de revelación y de encuentro, algo que lava de los momentos en que no ocurre nada más que lo que ocurre todo el tiempo.
Y así estoy deslumbrado y tan contento que cuando llega el intervalo me levanto entusiasmado y sigo aplaudiendo a los actores, y le digo a mi mujer que los mimos checos son una maravilla y que la escena en que el pescador echa el anzuelo y se ve avanzar un pez fosforecente a media altura es absolutamente inaudita. Mi mujer también se ha divertido y ha aplaudido, pero de pronto me doy cuenta (ese instante tiene algo de herida, de agujero ronco y húmedo) que su diversión y sus aplausos no han sido como los míos, y además casi siempre hay con nosotros algún amigo que también se ha divertido y ha aplaudido pero nunca como yo, y también me doy cuenta de que está diciendo con suma sensatez e inteligencia que el espectáculo es bonito y que los actores no son malos, pero que desde luego no hay gran originalidad en las ideas, sin contar que los colores de los trajes son mediocres y la puesta en escena bastante adocenada y cosas y cosas. Cuando mi mujer o mi amigo dicen eso --lo dicen amablemente, sin ninguna agresividad-- yo comprendo que soy idiota, pero lo malo es que uno se ha olvidado cada vez que lo maravilla algo que pasa, de modo que la caída repentina en la idiotez le llega como al corcho que se ha pasado años en el sótano acompañando al vino de la botella y de golpe plop y un tirón y no es mas que corcho.
Me gustaría defender a los mimos checos o a los bailarines tailandeses, porque me han parecido admirables y he sido tan feliz con ellos que las palabras
nteligentes y sensatas de mis amigos o de mi mujer me duelen como por debajo de las uñas, y eso que comprendo perfectamente cuánta razón tienen y cómo el espectáculo no ha de ser tan bueno como a mí me parecía (pero en realidad a mí no me parecía que fuese bueno ni malo ni nada, sencillamente estaba transportado por lo que ocurría como idiota que soy, y me bastaba para salirme y andar por ahí donde me gusta andar cada vez que puedo, y puedo tan poco). Y jamás se me ocurriría discutir con mi mujer o con mis amigos porque sé que tienen razón y que en realidad han hecho
muy bien en no dejarse ganar por el entusiasmo, puesto que los placeres de la inteligencia y la sensibilidad deben nacer de un juicio ponderado y sobre todo de una actitud comparativa, basarse como dijo Epicteto en lo que ya se conoce para juzgar lo que se acaba de conocer, pues eso y no otra cosa es la cultura y la sofrosine. De ninguna manera pretendo discutir con ellos y a lo sumo me limito a alejarme unos metros para no escuchar el resto de las comparaciones y los juicios, mientras trato de retener todavía las últimas imágenes del pez fosforecente que flotaba en mitad del escenario, aunque ahora mi recuerdo se ve inevitablemente modificado por las críticas inteligentísimas que acabo de escuchar y no me queda más remedio que admitir la mediocridad de lo que he visto y que sólo me ha entusiasmado porque acepto cualquier cosa que tenga colores y formas un poco diferentes. Recaigo en la conciencia de que soy idiota, de que cualquier cosa basta para alegrarme de la cuadriculada vida, y entonces el recuerdo de lo que he amado y gozado esa noche se enturbia y se vuelve cómplice, la obra de otros idiotas que han estado pescando o bailando mal, con trajes y coreografías mediocres, y casi es un consuelo pero un consuelo siniestro el que seamos tantos los idiotas que esa noche se han dado cita en esa sala para bailar y pescar y aplaudir. Lo peor es que a los dos días abro el diario y leo la crítica del espectáculo, y la crítica coincide casi siempre y hasta con las mismas palabras con o que tan sensata e inteligentemente han visto y dicho mi mujer o mis amigos. Ahora estoy seguro de que no ser idiota es una de las cosas más importantes para la vida de un hombre, hasta que poco a poco me vaya olvidando, porque lo peor es que al final me olvido, por ejemplo acabo de ver un pato que nadaba en uno de los lagos del Bois de Boulogne, y era de una hermosura tan maravillosa que no pude menos que ponerme en cuclillas junto al lago y quedarme no sé cuánto tiempo mirando su hermosura, la alegría petulante de sus ojos, esa doble línea delicada que corta su pecho en el agua del lago y que se va abriendo hasta perderse en la distancia. Mi entusiasmo no nace solamente del pato, es algo que el pato cuaja de golpe, porque a veces puede ser una hoja seca que se balancea en el borde de un banco, o una grúa anaranjada, enormísima y delicada contra el cielo azul de la tarde, o el olor de un vagón de tren cuando uno entra y se tiene un billete para un viaje de tantas horas y todo va a ir sucediendo prodigiosamente, el sándwich de jamón, los botones para encender o apagar la luz (una blanca y otra violeta), la ventilación regulable, todo eso me parece tan hermoso y casi tan imposible que tenerlo ahí a mi alcance me llena de una especie de sauce interior, de una verde lluvia de delicia que no debería terminar más. Pero muchos me han dicho que mi entusiasmo es una prueba de inmadurez (quieren decir que soy idiota, pero eligen las palabras) y que no es posible entusiasmarse así por una tela de araña que brilla al sol, puesto que si uno incurre en semejantes excesos por una tela de araña llena de rocío, ¿qué va a dejar para la noche en que den King Lear? A mí eso me sorprende un poco, porque en realidad el entusiasmo no es una cosa que se gaste cuando uno es realmente idiota, se gasta cuando uno es inteligente y tiene sentido de los valores y de la historicidad de las cosas, y por eso aunque yo corra de un lado a otro del Bois de Boulogne para ver mejor el pato, eso no me impedirá esa misma noche dar enormes saltos de entusiasmo si me gusta como canta Fischer Dieskau. Ahora que lo pienso la idiotez debe ser eso: poder entusiasmarse todo el tiempo por cualquier cosa que a uno le guste, sin que un dibujito en una pared tenga que verse menoscabado por el recuerdo de los frescos de Giotto en Padua. La idiotez debe ser una especie de presencia y recomienzo constante: ahora me gusta esta piedrita amarilla, ahora me gusta "L'année dernière à Marienbad", ahora me gustas tú, ratita, ahora me gusta esa increíble locomotora bufando en la Gare de Lyon, ahora me gusta ese cartel arrancado y sucio. Ahora me gusta, me gusta tanto, ahora soy yo, reincidentemente yo, el idiota perfecto en su idiotez que no sabe que es idiota y goza perdido en su goce, hasta que la primera frase inteligente lo devuelva a la conciencia de su idiotez y lo haga buscar presuroso un cigarrillo con manos torpes, mirando al suelo, comprendiendo y a veces aceptando porque también un idiota tiene que vivir, claro que hasta otro pato u otro cartel, y así siempre.
Júlio Cortázar
P.S: porque esse texto explica muita coisa sobre o momento. traduz a inoperância.
20.12.06
13.11.06
ask the dust
Você quer revolucionar? Quer pecar? Junte-se a mim.
31.10.06
A escumalha
27.10.06
A suave brisa das coisas
Então, que a última quarta-feira entrou pro hall dos dias-a-não-serem-esquecidos. Porque foi intenso, inesperado, melancólico e ao mesmo tempo otimista. Reconfortante. Passar o dia com minhas mulheres é remédio pra qualquer mal.
Rose está linda como sempre. Jaque foi embora e nos deixou suspensos. Castellotti tem vulcões na língua e bebe tanto quanto eu. Amanda e Adriano suspiram e pensam “meu deus como eu preciso de alguém”. E Ela tremeu, e meu coração ficou apertado.
Encontrei, beijei, matei saudades, senti outras mais, li, pechinchei, bebi, fumei, pensei, quis não pensar, quis não chorar, quis não dizer adeus. Abracei, precisei. Precisei do Teu colo, do Teu vinho. Do Teu mel. Cervejas não me bastam. Olho ao meu redor e quero viver tudo de novo pela primeira vez. Ser tudo de novo o que eu não fui pela derradeira primeira vez.
Sentir a brisa no rosto numa tarde escaldante. Sua cabeça girando. Seu sorriso sem motivo nunca foi tão motivado. Vai, nem precisa levantar a cabeça. Melhor com os olhos fechados. Melhor com o coração pulsando forte e você ouvindo apenas na orelha direita. Melhor você sendo . Existindo. Nunca existi tanto.
24.10.06
Novas aquisições
E continuo esperando a Rolling Stone chegar por aqui. Dizem que com entrevistas de Jack Nicholson e Bob Dylan, dizem. Morar em outra dimensão é foda. Acabei com a Bizz desse mês na mão, pra comparar, quando puder.
Você lê revistas?
21.10.06
Essência Metafísica Oblíqua (EMO.)
Pode rir, pode rir de mim.
Goodbye.
P.S: depois conto como foi, se você quiser mesmo saber.
17.10.06
Orae e vigiae
Tenho mais medo que Regina Duarte.
http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/394501-395000/394778/394778_1.html
atentae, atentae
orae e vigiae
10.10.06
[copydesk myself]
pauta caída caiada
esperando o quarto poder virar todo
5.10.06
4.10.06
3.10.06
29.9.06
27.9.06
Eu só quero que você saiba
Hoje eu não quero escrever, desaprendi. Nunca aprendi. Hoje não quero levantar da cama, ir ao trabalho. Fui atropelado por um caminhão.
Hoje eu queria rever A Garota da Vitrine pra lembrar você. Te procurei em Alta Fidelidade. Te achei nos meus sonhos, pois sou um sonhador, não paro de. Nunca. Já imagino a mudança. A reconquista. A volta.
Se você passar por aqui, saiba que o seu texto me emocionou profundamente, mesmo. Saiba que eu continuo te desejando. Saiba que eu te amo.
If I could you know I would
just hold your hand and you'd understand
I'm the man who loves you
Wilco - I'm The Man Who Loves You
6.9.06
Da vida e seus percalços ou - I need wake up
Vem cá amor, vem me salvar, me mostrar o fim de tarde. Vem dizer que a vida é até bela sim senhor e que tudo isso vai passar, até essa maldita coceira no braço, ai!
Quero falar do show de domingo. Móveis Coloniais de Acaju. Simplesmente transcendental. Nunca ri tanto ouvindo música. O vocalista é a cara daquele presidiário dos Simpsons que casa com uma das irmãs da Margie, sabe qual? Ska da melhor qualidade, creio. Uma mistura louca. Numa hora me sentia num clube de jazz, cinco minutos depois parecia o disco novo da Aguilera, e isso era bom, juro. E não consigo descrever mais. Quem não foi perdeu. Amanda grava pra mim!
Até sexta alguns filmes bacanas dos últimos dias, só pra aumentar o arquivo e aprimorar a técnica resenhística, há. (blasé)
All your dreams are made
When you're chained to the mirror and the razor blade
Today's the day that all the world will see
Another sunny afternoon
Walking to the sound of my favorite tune
Tomorrow never knows what it doesn't know too soon
Need a little time to wake up
Need a little time to wake up wake up
Need a little time to wake up
Need a little time to rest your mind
You know you should so I guess you might as well
What's the story morning glory?
Well
You need a little time to wake up wake up
[oásis – morning glory]
25.8.06
Possibilidades
Guardou o vinho. Duas garrafas. Retirou o congelado. Colocou-o no forno, fogo alto. Preparou a salada: lavou, fatiou, misturou, temperou, misturou novamente. Mesmo atrasado, conseguia se concentrar em cada tarefa que executava. Gostava de cozinhar. Gostava ainda mais de cozinhar para ela, degustadora oficial de suas experiências culinárias. Terminou a salada. Desligou o forno. Ligou para a padaria, encomendou a torta. Foi tomar banho.
Já passava das oito. Qual camisa vestiria? A verde ou a vermelha? Um pouco de perfume, não muito. Batem à porta. A torta chegou. A coloca na mesa, compondo um cenário perfeito, pensava. Como gostava de agradá-la, constatava. Também, não era tão difícil assim. Pensava consigo mesmo, agora, que cumpriu a missão a tempo, que não era o jantar de aniversário mais bem elaborado de todos os tempos. Qual o segredo de esquentar um prato no forno e preparar uma simples salada? Pronto, tinha conseguido ficar inseguro. O que ela acharia, afinal? Se fosse menos do que ela esperava, perceberia imediatamente ou seria enganado com êxito? Ela conseguiria disfarçar uma possível frustração? Era tarde para mudar, pensar em algum plano alternativo. A qualquer instante ouviria o barulho da chave na porta, barulho que ambos adoravam escutar. Passava de oito e meia.
Ainda estava dentro do prazo. Não era tão tarde assim. Devem ter feito algo no trabalho para comemorar a data, poderiam até ter saído pra tomar algo, mas, com certeza, não demoraria. Mas deveria ter ligado, pensou ele, tentando esquecer de sua insegurança e atendo-se a outras questões, tentando torná-las mais importante. Pensou em como estava sendo aquele ano para os dois, o primeiro morando juntos. Já fazia oito meses que haviam decidido dar o passo mais importante até então. Depois de três anos, enfim morar juntos. Ele fez o convite, apreensivo com a resposta. Ela aceitou na hora, eufórica com a idéia. Ele que teve que se mudar, saindo da casa dos pais para o apartamento em que ela já vivia, o que o fazia sentir-se um pouco dependente. Era como se ela lhe tivesse feito um favor, lhe tirado da casa dos pais. Era como se ele tivesse forçado a barra ao fazer-lhe o convite. Teria ele adiantado as coisas? Teria mesmo forjado aquela situação, na pressa de tornar seu sonho romântico realidade? Estava pensando demais. Estava atrasada demais. Nove e meia.
A demora para que chegasse já era prolongada. Uma hora e meia além do normal. Deveria ligar. Ligou. Ela não atendeu. Poderia não ter ouvido. Ligou novamente. De novo ela não pôde ouvir. Em sua cabeça, traçava o roteiro imaginário para o que acontecia. Será que acontecia? Tinha ido a um bar, com as colegas do trabalho, levada por elas. Só amigas? O barulho peculiar de um bar movimentado, onde todos falam e ninguém se entende, não a deixou ouvir o celular. Mandar mensagem seria ser chato demais, e não ouviria do mesmo jeito. Seria frio. Soaria possessivo, o que não queria ser, muito menos transparecer. A preocupação já tinha tomado forma e seus pensamentos. Mas não preocupação por ela, o que teria acontecido com ela, e sim consigo, com o planejamento da noite que começava a ser prejudicada. A noite deles. Quando chegasse, estaria muito irritado para comemorações. Se chegasse. Começava a frustração. Dez e meia.
Não entregou os pontos, não deixou a dúvida e o desânimo vencerem, ainda. Ligar mais uma vez. Telefone desligado. Ela teria desligado para não ser incomodada? Por ele? Foi até a mesa, olhou para o cenário que tinha construído. Agora tinha um ar tão melancólico, perdido a áurea romântica meticulosamente criada. Não sabia o que fazer, não tinha mais possibilidades. Se entregaria a neurose de imaginar o que estava acontecendo, se renderia ao ciúme, ao sentimento de posse. Ela não poderia comemorar seu aniversário sem ele, sem avisar. Sentia-se desconfortável, em um lugar que não era o seu, numa vida que não lhe pertencia. Sentimento amargo de decepção. Dia perdido. Meses perdidos? Pôr oito meses, três anos em jogo, por causa de uma noite. A noite mais importante. Era o momento de repensar a história dos dois. Parecia ter tomado uma decisão. Retirou a mesa. Desfez o cenário.
Meia-noite, toca o telefone. É ela, pensa imediatamente. Deixa tocar duas, três, quatro vezes, a faz esperar do outro lado da linha. Não atende. Vingança idiota. Começa a tocar novamente. Desiste do plano de fazê-la esperar. Desiste de fugir. Atende. Escuta. Responde. Não entende, pergunta. Ouve, não quer ouvir. Não quer acreditar. A garganta seca, a perna treme, o céu desaba. Não pode acreditar, não pode ser. Como pôde não pensar nisso. É muito pior. Vai correndo para o hospital.
24.8.06
Eu sou um cão abandonado
A namorada tinha que ajudar a mãe a fazer nãoseioquê. E lá foi ela. Os amigos, ocupados, cansados, preocupados, preguiçosos. “Vamo se vê amanhã!” “Vamo fazê algo na sexta!”. E de repente, eu e a casa vazia, só pra mim.
“Já sei! Vou passar a tarde bebendo e assistindo filmes b!” Nada melhor para uma ensolarada tarde de terça-feira? Não, nada melhor. E lá vou eu na esquina comprar minha primeira porção de álcool sozinho. Sem ninguém do lado pra me esconder. “Coragem e não olha nos olhos do caixa” gritava o diabinho sentado no meu ombro esquerdo. O anjo do outro lado já tinha se mandado há séculos, caso perdido.
Vejo um filme, encho a cara, leio algumas páginas que me mandaram e, finalmente, diante do pôr-do-sol (o pôr-do-sol da minha casa é imbatível) me ponho a escrever. A tentar, ao menos. Esse era meu plano às duas da tarde. Sento diante do computador às oito. E nem estou bêbado. Não tinha pra quê mesmo.
Vi um filme repetido, li o que já tinha lido pela manhã, – e não foi nenhum livro da pilha que só faz crescer ao lado da minha cama - me agarrei ao telefone tentando matar o tempo, confessando que desaprendi a ficar só, comigo mesmo. Tenho um mês inteiro pela frente pra reaprender.
Incrível nossa insatisfação com a vida. Sempre queremos mais. Ou o contrário. Ou o diferente. Quando estamos rodeado de pessoas e compromissos queremos paz. Quando a solidão nos maltrata e nos coloca diante do espelho (clichê besta) queremos estar no olho do furacão, agitando e sendo agitado. E isso tá parecendo texto de auto-ajuda...
Páre agora!
23.8.06
Bate Outra Vez
Eu sei, amor. Estais aí. Aqui. Dentro do meu coração. E nunca sairá. Não se faça de vítima. Não vá para a sarjeta. Não tome o meu lugar de direito. Afinal, é minha a vocação de ser “gauche” na vida. Cansei de gastar o seu tempo. O anjo torto não me deu coragem pra tamanha pretensão. Chame-me de idiota, como fazíamos quando ríamos de nós mesmos. Falta coragem pra ser feliz. Você soube que eu tentei?
Sou o imperfeito manipulador sádico.
E o que fazer quando não te quero mais aqui? O teu cheiro na minha cama. O teu gosto no meu corpo... Impossível entendimento. Abdico do direito. De todos. Nunca mais. Sem sonhos, sem tropeços. Rasgo as cartas. Despedaço as flores que me dei um dia pensando no cenário que idealizei. Mas ah, quanta tolice. Fúria leviana. Cinco minutos e tudo mais uma vez. Volta. Não foi. Não vá.
Volto pra esquina com um novo buquê nas mãos. Esperança maldita que não consigo exterminar. Loucura patética e doentia; e qual não é? Esperança que tu me vejas de volta, de novo, sem revolta. Vontade de olhar aqueles olhos tristes refletidos nos meus.
Agora, amor, já não temos as amarras de antes. Caminho ladrilhado com esmero. Chances de queda existem, é bem verdade, mas o que é a vida sem o prazer lancinante do risco? E o que sou eu sem você?
Quero ser livre sem as amarras de antes. Intenso. Amor verborrágico. Sem medo de ser infeliz. Sem medo de ser. Vem ser comigo, você. Vem?
Devias vir
[Cartola]
